domingo, 17 de novembro de 2013

A importância da viagem


Viajar? Para viajar basta existir. Vou de dia para dia, como de estação para estação, no comboio do meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos, sempre iguais e sempre diferentes, como, afinal, as paisagens são."

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, Lisboa: Assírio & Alvim (2008)

 
Passageiro, viageiro, peregrino através da sua própria alma – é a imagem de si que o poeta permanentemente nos transmite. (…) É o poeta que viaja através da sua alma múltipla ou, inversamente, é viajado por ela? Seja como for, tudo é viagem: paisagem e passagem.

Teresa Rita Lopes, Pessoa por Conhecer, vol.I, Ed. Estampa


A propósito destas duas citações sobre a temática da viagem, os nossos alunos de 12ºano escreveram um texto de opinião. O resultado pode ser lido na página deste nível de escolaridade, aqui.

sábado, 16 de novembro de 2013

Dia do Desassossego

 
O escritor José Saramago celebraria hoje 91 anos. Para assinalar a efeméride, a sua Fundação organizou vários eventos, em Lisboa, que coincidiram também com a reedição de A Maior Flor do Mundo, com ilustrações de José Letria.













Deixamos, em jeito de homenagem, no mês em que se comemora o 15ºaniversário da atribuição do Prémio Nobel da Literatura ao escritor, duas sugestões culturais:

A peça teatral A Noite, em cena no Teatro da Trindade, introduzida assim por Saramago:

O ato passa-se na redação de um jornal, em Lisboa, na noite de 24 para 25 de Abril de 1974.
Qualquer semelhança com personagens da vida real e seus ditos e feitos é pura coincidência. Evidentemente.




E o filme José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes. realizado em 2010:


Dia Nacional do Mar


Hoje comemora-se o Dia Nacional do Mar. Componente estruturante do currículo e do projeto educativo do Colégio, o mar está fortemente presente na Literatura, servindo tantas vezes de inspiração, de cenário e de protagonista. Deixamos algumas sugestões de leitura, bem como links interessantes, a propósito deste tema. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Autorretrato de Alberto Caeiro | 12ºano



Os alunos do 12ºano vestiram a pele de Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, e imaginaram como este se descreveria nas suas próprias palavras. O resultado está na página deste nível de escolaridade, aqui.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Novos textos na página do 10ºano

Há mais textos para ler dos nossos alunos de 10ºano: figuras que lutaram pelo Bem Comum e uma reinterpretação do vilancete camoniano dedicado a "Lianor", numa roupagem contemporânea. Vale a pena espreitar (aqui)!

Toques culturais



Ontem, no dia de Pedro Arrupe e do Colégio, inaugurámos um novo espaço de partilha na Biblioteca: os "toques culturais". O Rodrigo Tavares (11C) apresentou o resultado do seu trabalho de pesquisa sobre as artes decorativas do Barroco. O seu profundo conhecimento do tema, bem como as imagens ilustrativas, relativas à ourivesaria, azulejaria, mobiliário, faianças, que o Rodrigo comentou de forma muito detalhada; cativaram a plateia. Muito obrigada!




 





 


República das Letras | Agradecimento

Chegou ao fim a primeira parte da República das Letras, que decorreu entre 11 a e 15 de novembro. Agora, só voltaremos a reencontrar o Professor Miguel Monjardino e os heróis da Ilíada e da Odisseia no segundo período.
 
A semana foi recheada de emoções fortes: no 10ºano, os alunos renderam-se à beleza e astúcia de Helena e ficaram divididos entre a inteligência de Ulisses e o caráter forte de Aquiles; no 11ºano, assistiram ao crescimento de Telémaco, que teve de tem de enfrentar os pretendentes de Penélope e honrar as qualidades que recebeu de seu pai, Ulisses;  no 12ºano, vibraram, por vezes horrorizados, com a determinação de Medeia.
 
Ao longo destes dias, o dicionário e o "guardião do conhecimento" de cada turma trabalharam ininterruptamente, numa "odisseia" paralela, dedicada à descoberta do significado de palavras "misteriosas" e desconhecidas. O glossário atualizado pelos alunos em cada sessão é longo... Além do significado, descobrimos, com a ajuda do Professor Miguel Monjardino, a origem de algumas palavras. Por exemplo, a palavra "mentor" deve o seu sentido a uma das personagens da Odisseia, Mentor, o amigo de Ulisses e que orientava o seu filho, Telémaco. O nome significa, por isso, “orientador, o que guia”.
 
 Foram dias de descoberta e de viagem, numa sala plena de luz, à volta de uma mesa, num círculo de leitura e de cumplicidade, em que as vozes, os dilemas e as decisões dos heróis clássicos nos (des)inquietaram mais uma vez, projetando-se e imiscuindo-se no presente, no mundo de hoje. A milénios de distância, a tapeçaria de Penélope volta a tecer-se. Ontem, como hoje, os mesmos problemas, a mesma fibra heroica, a mesma ânsia de além, a mesma demanda - o sentido para e da condição humana.
 
 Ao longo dos próximos dias, publicaremos algumas imagens e testemunhos sobre os melhores momentos de cada um dos seminários.
 
Deixamos um agradecimento especial ao Professor Monjardino por esta semana inesquecível. Até Ítaca, Professor!
 
Ítaca
 
Quando partires rumo a Ítaca,
Faz votos de que seja longa a viagem,
Cheia de aventuras, cheia de experiências.
E quanto aos Lestrigões, aos Ciclopes
E ao irado Poseidon, não os temas,
Esses seres não encontrarás nunca no caminho,
Se o teu pensar guardares alto, e uma nobre
Emoção tocar tua mente e corpo.
E nem os Lestrigões, nem os Ciclopes,
Nem o fero Poseidon hás­ de ver,
Se dentro da tua alma não os transportares,
Se não tos puser a alma à tua frente.
 
Faz votos de que seja longa a viagem.
Que as manhãs de verão que sejam muitas,
Que o prazer te invada e a alegria
Ao entrares em portos nunca vistos;
Hás­ de parar nas feitorias dos fenícios
Para adquirir os mais belos artigos:
Ébano, corais, âmbar, madrepérolas,
E sensuais perfumes de todas as sortes,
E quanto houver de aromas deleitosos;
Vai a muitas cidades do Egito
Aprender e aprender com os doutores.
 
Deves ter sempre Ítaca na tua mente.
Hás­ de lá chegar, é o teu destino.
Mas não apresses em nada a tua viagem.
Melhor será que muitos anos dure
E que já velho regresses à tua ilha
Rico do que ganhaste no caminho
Não esperando de Ítaca riquezas.
 
Ítaca deu-te essa bela viagem.
Sem ela não te terias posto a caminho.
Não tem, porém, mais nada para te dar.
 
E se a fores encontrar pobre, Ítaca não te enganou.
Tão sábio te tornaste, tão experiente,
Que percebes enfim que o significam as "Ítacas".

konstantinos kavafis
 
 
 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Poemas-bonsai no CPA

 




O haiku é uma composição japonesa de três versos, com métrica fixa e muitas vezes sem rima. É um instante de assombro e de revelação; no seu minimalismo,  manifesta-se, com limpidez e simplicidade, a verdade do mundo.
 
Desafiámos os alunos a registarem nestes poemas-bonsai as suas impressões poéticas sobre a figura tutelar do nosso patrono.

Na celebração do nascimento de Pedro Arrupe,  os nossos alunos presenteiam-nos com uma mostra dos seus textos, à entrada do colégio mais oriental da cidade.   

domingo, 10 de novembro de 2013

República das Letras 2013 | 2014

 Pelo terceiro ano consecutivo, decorrerá no Colégio, ao longo do ano, o projeto “República das Letras”, uma atividade dedicada aos alunos do Secundário.
 
Este programa, dinamizado por Miguel Monjardino, especialista em Estudos Políticos e de Geopolítica e Geoestratégia e Professor da Universidade Católica, surge na sequência de um seminário do professor Anthony O’Hear, diretor do Royal Institute of Philosophy em Londres, no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, sobre Agamémnon, uma peça de Ésquilo.
 
A República das Letras é, por isso, um programa único no país que parte da análise, através de seminários, dos grandes clássicos da literatura grega, para intervir ativamente e compreender os temas essenciais da civilização europeia. As palavras de Miguel Monjardino, num artigo do Expresso de 21 de janeiro de 2012, ilustram bem a importância decisiva e diferenciadora que um projeto deste género pode ter na construção do pensamento e na formação científica e humana dos nossos alunos: “(…) os gregos de há dois mil e quinhentos anos continuam a ser essenciais. Essenciais porque inventaram praticamente tudo o que é importante ao nível da política, história, literatura, ciência e desporto. Essenciais também por terem falado e escrito sobre as fragilidades, a audácia e a inteligência que sempre caracterizaram as mulheres e os homens ao longo dos tempos. Essenciais, finalmente, por nos obrigarem a refletir e a pensar pela nossa própria cabeça. Numa sociedade que quer ser uma democracia liberal, isto é uma coisa absolutamente essencial”.
 
O caráter transversal e interdisciplinar da atividade (Literatura, Português, Filosofia, História, Geografia, Religião...) confirma a sua importância pedagógica e reforça a sua relação com o Projeto Educativo do Colégio, ao contribuir para «uma formação plena e mais profunda da pessoa humana, num processo educativo que procura a excelência». Além disso, visa enriquecer os alunos na sua dimensão pessoal, académica e profissional, para que sejam capazes de, como consta no nosso ideário:
 
·         Olhar o mundo, identificar desafios e deixar-se interpelar pelas oportunidades;
·         Responder de forma positiva aos desafios atuais, sendo capaz de ler a realidade com espírito crítico e criativo;
·         Investir de forma ativa no seu crescimento integrado (de todas as dimensões da pessoa humana) e na construção de uma identidade psicossocial com referências sólidas (valores);
·         Descobrir, respeitar e defender o valor e a dignidade da pessoa humana;
·         Interessar-se e ser capaz de agir sobre a realidade e avaliar consequências da sua ação;
·         Adequar e atualizar competências e conhecimentos – autonomia para uma aprendizagem ao longo da vida;
·         Cooperar e envolver-se na construção de um futuro “mais”, isto é, “melhor”, para todos.
 
Os primeiros seminários acontecerão já durante a próxima semana.
 
Deixamos as capas dos livros que analisaremos ao longo das sessões:
 
10ºano


11ºano



 
12ºano


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Livrarias de Lisboa - Ler devagar

   
   Ocupando o espaço de um amplo edifício de três andares, a Ler Devagar é provavelmente a maior livraria de Lisboa. Em 2009, dez anos depois de ter surgido no Bairro Alto, a Ler Devagar mudou-se para o polo de indústrias culturais de Alcântara – LX Factory – e é aqui que tem marcado de forma muito substancial a vida cultural de Lisboa. É, sem dúvida, um dos lugares mais animados da cidade e é também aquele que, para além da enorme variedade de livros, mais atividades culturais tem para nos oferecer, desde exposições e peças de teatro a debates, conferências e concertos. 

 Uma sugestão: consultar as atividades e ofertas culturais da LX Factory e passar um final de tarde na Ler Devagar.

Clube dos poetas vídeos # 8



"Deslumbramentos", de Cesário Verde

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Toques literários

Mais uma semana, mais livro, mais um orador... Hoje,  o Vasco Tavares (5ºA) apresentou a coleção Feras e Heróis, mais concretamente, o quarto livro da primeira série. Sentámo-nos em torno de uma mesa grande e partilhámos, depois da refeição, o gosto pelos livros e pelas palavras. Muito obrigada!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Prémio Saramago para o escritor angolano Ondjaki

 
À oitava edição, o Prémio Literário José Saramago foi para Ondjaki, escritor e poeta que nasceu em Luanda em 1977, autor do romance Os Transparentes, publicado pela Caminho em 2012 e que é um retrato de Angola.
 
O prémio foi esta terça-feira anunciado na sede da Fundação José Saramago, na Casa dos Bicos, em Lisboa. Numa cerimónia em que a poeta angolana Ana Paula Tavares, e um dos membros do júri, fez o elogio do autor e da obra distinguida por unanimidade.
 
"Este prémio não é meu, este prémio é de Angola." Foi assim que Ondjaki agradeceu o prémio, no valor de 25 mil euros. "Eu não ando sozinho, faço-me acompanhar dos materiais que me passaram os mais velhos. Na palavra 'cantil' guardo a utopia, para que durante a vida eu possa não morrer de sede."
 
"Este é um livro sobre uma Angola que existe dentro de uma Luanda que eu procurei escrever e descrever. Fi-lo com o que tinha dentro de mim entre verdade, sentimento, imaginação. E amor. É uma leitura de carinho e de preocupação. É um abraço aos que não se acomodam mas antes se incomodam. É uma celebração da nossa festa interior, trazendo as makas, os mujimbos, algumas dores, alguns amores. Penso que todos queremos uma Angola melhor", disse o escritor no seu discurso de agradecimento.
in Público. A notícia pode ser lida na íntegra aqui.

domingo, 3 de novembro de 2013

Bibliotecando

Deixamos as sugestões de leitura para este mês enviadas pela equipa da Biblioteca:


2ºCiclo



Cinema Lux, Janine Teisson















3ºCiclo




Travessia de verão, Truman Capote















Secundário


Fugas, Alice Munro

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Clube dos poetas vídeos # 7




                                                       


"Poema em linha reta", de Fernando Pessoa, por Paulo Autran.

Toques literários


Mais uma semana, mais um livro, mais um orador... O Filipe (11A) apresentou hoje, na biblioteca, o "Sermão de Santo António aos Peixes", de Padre António Vieira. Além de contextualizar a época do autor (o século XVII) e expor os seus dados biográficos, pronunciou-se igualmente sobre as causas por que lutou (era um acérrimo defensor dos índios). Finalmente, refletiu, com humor e sentido crítico, sobre a intemporalidade da sua mensagem e o seu poder argumentativo. Foi muito interessante! Muito obrigada!


 Muito obrigada!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

CSI da língua


Saber e sabor...
 
É fascinante refletir sobre a etimologia de algumas palavras associadas ao campo da educação e perceber como a sua origem remete para uma dimensão sensorial e, até, alimentícia... É verdade!...
 
Por exemplo, a palavra "saber", de acordo com o Dicionário Etimológico do Professor Pedro Machado, chegou até nós a partir do termo latino sapere, "ter gosto; exalar um cheiro, um odor; perceber pelo sentido do gosto.". Assim, "saber" e "sabor", no latim, estavam semanticamente relacionados; o "saber" era um "saber pelos sentidos", ou, de outra forma, o "sabor" antecedia o "saber". E esta, hein?

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Semana Internacional das Bibliotecas Escolares

A equipa da Biblioteca preparou várias surpresas para esta semana! Em vários sítios do colégio, podemos encontrar instalações artísticas que assinalam a comemoração da Semana Internacional das Bibliotecas Escolares. E repararam nas portas das salas? Deixamos alguns exemplos e convidamos todos para um programa recheado de sugestões verdadeiramente irrecusáveis!
                                                                                                                  

                                                                                                         
   
                                           







 
 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A inquietante atualidade de Padre António Vieira

Deixamos duas reflexões de Inês Pedrosa sobre a atualidade das ideias e da figura de Padre António Vieira.


1.
Vieira foi um político, no sentido mais nobre do termo, que é o de profeta e pregador (...). Hoje, como no século XVII de Vieira, a palavra «profecia» é alvo de equívocos. Há, de resto, cada vez mais palavras que, à força de serem repetidas pelo que não são, perdem a força do que são. Político é uma delas. Como escritor, intelectual, filósofo, poeta – uma mão cheia de palavras que representam o entalhe da liberdade e do sonho, o trabalho de afinar os circuitos elétricos da alma humana, e que (por isso mesmo?) são cuidadosamente desmembradas até não significarem nada. A ideia, que só por ignorância se pode considerar nova, de que o verdadeiro intelectual é aquele que intervém nos combates da polis, silencia-se facilmente com uma só página de um qualquer sermão de António Vieira – que passou a vida no púlpito e na rua, lutando pelos direitos dos índios e dos escravos do Brasil. O dom de futurar a que se chama profecia resulta da capacidade de olhar para o presente como se ele fosse já passado, ou seja, com o despojamento de uma compaixão humana em estado puro. Todos os grandes escritores, de Camões e Vieira a Dostoievski e Agustina, são naturalmente profetas. Faz-se é muito caso da simplicidade destas palavras, porque somos demasiado contemporâneos para aguentarmos o peso dos intemporais. Mas até isso é velho.     

António Vieira, o padre, lutou pela igualdade e pelo esclarecimento das almas, pela libertação de Portugal face ao domínio espanhol e pela libertação do Brasil tomado pelos holandeses. Foi perseguido pela Inquisição, proibido de falar em público, desprezado e silenciado pelos poderes da sua época. Ousou a humilde vaidade de pensar pela cabeça de Deus, que não regista datas nem raças, e usou a religião como instrumento de religação de cada ser humano consigo mesmo e com os outros. Ainda hoje, 308 anos depois da sua morte, as suas palavras caminham adiante do tempo. De facto, não saímos ainda da Era do Espartilhamento Humano que foi a de Vieira – uma era em que as pessoas inteiras assustam, e só os técnicos especialistas, devidamente arrumados nas suas cátedras específicas, são respeitados. O que motiva as pessoas inteiras – aquelas que sabem que a palavra é uma forma de ação e a ação uma questão de palavra não é mudar de carro, de casa e de mundo, mas, ainda e sempre, mudar o mundo. Ontem como hoje, o mundo resiste à mudança – com maior ou menor folclore sociológico-mediático. Não quereis sujar-vos no suor da política? Não quereis distinguir as características dos peixes nem contribuir para a despoluição dos mares? Meditai pelo menos nesta frase de Vieira: «Palavras sem obra são tiros sem bala; atroam, mas não ferem».
Inês Pedrosa, "A viagem infinita do padre António Vieira", in Expresso, 2005


2.
Se vivesse hoje, como seria esse António Vieira, nascido a 6 de fevereiro de 1608, que bradou contra os desmandos da Terra e do Céu? Escreveria, num computador portátil de viajante eterno, textos assombrosos, como os que escreveu nesse século XVII que lhe coube (...) e excederiam a compreensão dos seus contemporâneos. Escreveria, nos jornais ou na blogosfera, artigos incendiários sobre o estado do mundo - mas precisaria também do púlpito do poder político.
Inês Pedrosa, in Visão, 31-01-2008 (com supressões)

domingo, 27 de outubro de 2013

Ler e (n)uma cabana...

Este é um projeto surpreendente associado ao programa da Trienal de Arquitetura de Lisboa.  "Um, dois e muitos", de Marta Wengorovius, é uma cabana de madeira que está no Jardim Botânico, perfeitamente integrada na paisagem. Para que serve? Para ler!
 
A cabana tem apenas uma estante e lugar  – e pode ser reservada por algumas horas, ou até um dia inteiro, até ao dia 15 de dezembro.  Os interessados poderão, por exemplo, levar o livro que andam a ler ou escolher um dos da Biblioteca Um, dois e muitos –  Marta Wengorovius pediu a 20 pessoas que selecionassem títulos, reunindo um acervo de 60 volumes na estante da cabana. Esta é também uma biblioteca itinerante, porque a cabina (que é, na verdade, uma instalação), cuja estrutura foi desenhada por Francisco Aires Mateus, já esteve em Paredes e é móvel. O objetivo deste projeto é criar uma comunidade de partilha de leitura(s).