terça-feira, 3 de março de 2015

Bibliotecando

Para o mês de Março, a Biblioteca propõe as seguintes leituras:

2º ciclo - Charlie e a Fábrica de Chocolate, de Roald Dahl



“Charlie Pipa adora chocolate. E o Sr.Willy Wonka, o mais prodigioso inventor do mundo, vai abrir as portas da sua maravilhosa fábrica de chocolate a cinco crianças sortudas. É o melhor prémio do mundo! Enche-bocas eternos, bombons serpentina e um rio de chocolate derretido esperam por elas. Se Charlie conseguir um bilhete Dourado, estas lambarices deliciosas podem ser TODAS suas.”


3º ciclo - A história do senhor Sommer, de Patrick Süskind




 “No tempo em que eu ainda trepava às árvores – há muitos, muitos anos, há dezenas de anos atrás, media apenas pouco mais de um metro, calçava o número vinte e oito e era tão leve que podia voar – não estou a mentir, naquele tempo eu podia de facto voar – ou, pelo menos, quase, ou, melhor dizendo: naquela altura teria realmente conseguido voar, se de facto o tivesse querido fazer e se verdadeiramente o tivesse tentado, pois… Pois lembro-me com exatidão de que uma vez não voei por um triz.”

Secundário - Carlota Fainberg, de Antonio Muñoz Molina

“Tudo começa, acidentalmente, no aeroporto de Pittsburgh. Enquanto aguarda embarque para Buenos Aires, aonde vai proferir uma palestra sobre Jorge Luís Borges, Cláudio, professor de Literatura, vê-se forçado a corresponder ao muito falador Marcelo, um executivo em trânsito para Miami. O fato de ambos serem espanhóis faz com que Marcelo insista em dar a conhecer ao seu companheiro acidental (…) a aventura que aí viveu com a mais bela das mulheres: Carlota Fainberg. Depois do seu inexplicável desaparecimento, só voltou a vê-la quando partiu, num adeus brusco e enigmático. Ao chegar a Buenos Aires, Cláudio visita o Town Hall e reconhece imediatamente Carlota. Vem a saber, todavia, que Carlota Fainberg morreu há vinte anos, portanto muito antes de Marcelo a ter podido conhecer. Será que Marcelo inventou a história que contou a Cláudio? Ou não passa tudo de uma alucinação que se transferiu de Marcelo para Cláudio? E, viva ou morta, quem é afinal, Carlota Fainberg?”


Esta 6ª feira, dia 06/03, às 13h, na Sala de Formação!


segunda-feira, 2 de março de 2015

Recriação de uma lenda medieval




Os Livros de Linhagens, de D. Pedro, Conde de Barcelos, também chamados Nobiliários, incluíam, além dos relatos exaustivos da genealogia das famílias nobres, narrativas fantásticas, de conteúdo mítico-lendário ou mítico-simbólico.

Estas lendas ou contos fantásticos procuravam explicar a fundação de uma determinada família. Um dos textos mais conhecidos é “Dona Marinha”, inspirado na tradição etnográfica multissecular do litoral (parentesco com Afrodite, com as Sereias, Ondina). 

Um bom cavaleiro, caçador e monteiro, acompanhado por três escudeiros, achou um dia uma bela mulher que dormia junto ao mar. Quando os ouviu quis acolher-se ao mar mas eles chegaram a tempo de a “colher” o cavaleiro levou-a num cavalo para sua casa. Fê-la baptizar e teve dela seus filhos entre os quais D. Joham Froiaz Marinho. Porém ela não falava apesar do amor dos seus. Só falou quando o cavaleiro a assustou fingindo lançar à fogueira o filho querido de ambos. Querendo gritar lançou um pedaço de carne pela boca e a partir de então falou. E o cavaleiro desposou-a.

Transcrevemos o texto original:

O primeiro foi ũu cavaleiro boo que houve nome dom Froiam, e era caçador e monteiro. E andando ũu dia em seu cavalo per riba do mar, a seu monte, achou ũa molher marinha jazer dormindo na ribeira. E iam com ele tres escudeiros seus, e ela, quando os sentio, quise-se acolher ao mar, e eles forom tanto empos ela, ataa que a filharom, ante que se acolhesse ao mar. E depois que a filhou aaqueles que a tomarom fe-a poer em ũa besta, e levou-a pera sa casa.
E ela era mui fermosa, e el fe-a bautizar, que lhe nom caia tanto nome nem uu como Marinha, porque saira do mar; e assi lhe pôs nome, e chamarom-lhe dona Marinha.  E houve dela seus filhos, dos quaes ũu que houve nome Joham Froiaz Marinho.
E esta dona Marinha nom falava nemigalha. Dom Froiam amava-a muito e nunca lhe tantas cousas pode fazer que a podesse fazer falar. E ũu dia mandou fazer mui gram fogueira em seu paaço, e ela viinha de fora, e trazia aquele seu filho consigo, que amava tanto como seu coraçom. E dom Froiam foi filhar aquele filho seu e dela, e fez que o queria enviar ao fogo. E ela, com raiva do filho, esforçou de braadar, e com o braado deitou pela boca ũa peça de carne, e dali adiante falou. E dom Froiam recebeo-a por molher e casou com ela.

Mattoso, José; Livro de Linhagens do Conde Dom Pedro, Lisboa, Academia das Ciências, 1980 , p.73 A1

*

Pedimos aos alunos de Literatura Portuguesa que (re)criassem esta lenda, respeitando as características e o objetivo da mesma (explicação da origem e da fundação de uma família). Eis o resultado:

Lenda do nome Salgueiro



O primeiro foi um formoso marinheiro que regressava a casa da sua longa viagem.
Numa noite fria, o marinheiro, que não conseguia dormir no seu barco, levantou-se da sua cama, ao ouvir um cântico maravilhoso vindo do além. Procurou a voz, dirigindo-se ao mar. No manto de nevoeiro, viu uma figura rochosa que emitia a voz encantadora e, ao aproximar a embarcação do rochedo, encontrou uma linda donzela de cabelos azuis e pele clara, sentada. Perguntou-lhe o seu nome e ela disse que vinha do mar salgado e logo se apaixonaram. Sem hesitar, levou-a para o seu barco, onde prometeu cuidar dela.
Dias depois de embarcarem, o marinheiro pediu-a em casamento. Ela aceitou, com uma condição: nunca, de maneira alguma, o marinheiro poderia permitir que ela tocasse na água.
Os anos passaram e o pacto manteve-se. O marinheiro e a donzela tiveram um filho de olhos turquesa e viviam apaixonadamente na casa junto ao mar.
Mas, uma noite, o marinheiro acordou com uma luz forte vinda do quarto do filho. Olhou para o lado e a mulher não estava deitada. Levantou-se rapidamente e começou a chamar por ela. Encontrou-a agarrada ao seu amado filho, cercada de chamas. Para acudir, o marinheiro pegou nem barris de água e lançou-os ao fogo. No entanto, quando as chamas se foram apagando, a donzela, encharcada, gritou com todas as suas forças e foi-se desfazendo em pedras de sal, enquanto se encaminhava para o mar, onde permaneceu.
Nunca mais se ouviu falar dessa donzela, mas a verdade é que continuam a existir marinheiros com vestígios de sal nas suas casas…
Inês Martins, 10C

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Um texto da Sofia Monteiro, do 8.º B


QUINTA-FEIRA, 1 DE OUTUBRO DE 1942
Querida Kitty,

            Ontem apanhei um susto terrível. Às oito da noite tocou subitamente a campainha da porta. Só conseguia pensar que era alguém para nos vir buscar, sabes o que quero dizer. Mas acalmei-me quando toda a gente jurou que devia ser uma brincadeira ou o carteiro.

            De facto, a vida aqui não é fácil. Nada é totalmente seguro, e o mais pequeno ruído pode significar a maior tragédia para todos nós.
            É um eufemismo dizermos que estamos escondidos: nós estamos presos, apenas não o assumimos. Na realidade, seria bastante ingrata se desprezasse este espaço onde ficarei “escondida” quem sabe por quanto tempo. Estão todos a tentar torná-lo num lar, mas sem uma única atividade ao ar livre, um único olhar para o sol, não existe uma pessoa que consiga adotar uma perspectiva positiva perante um cenário tão macabro.
            Toda esta guerra faz-me perceber o quão irracional pode tornar-se o ser humano. É grotesca a forma como é tratado o próximo, e parece que todos perderam a consciência e os princípios básicos da vida em sociedade.
            Estou aqui há quase cinco meses. Não sei para que serve adiar o inevitável: será que a Mamã e o Papá têm de facto fé num final feliz? Será que algum dia sairei daqui? Terei a possibilidade de me adaptar? Será que estamos apenas a esperar que nos venham buscar, tendo o simples consolo de que “tentámos”?
            Eu não sei, mas as respostas virão, a bem ou a mal.
                                               
                                                                                                Tua, Anne


Texto escrito no âmbito do estudo da obra O Diário de Anne Frank.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Shakespeare em 97m até 15 de fevereiro


Dia de Ramalho Ortigão

Assinalou-se ontem, no CCB, o dia de Ramalho Ortigão, um século após a sua morte.

DIA RAMALHO ORTIGÃO
CCB
em colaboração com o Centro Nacional de Cultura


«A personalidade de Ramalho Ortigão (1836-1915) é, no nosso século XIX, exemplo singular de quem representa o diálogo intenso entre a sociedade antiga e a sociedade moderna. Cultor das raízes portuguesas, da história, da terra, da paisagem e das gentes, soube legar-nos retratos impressivos de Portugal como realidade multifacetada, feita de muitas diferenças e complementaridades. As amizades com o seu antigo aluno José Maria Eça de Queiroz e com o seu vizinho Oliveira Martins inseriram-no na modernidade do seu tempo (apesar de se ter oposto aos jovens da «Questão Coimbrã»), sem nunca abandonar a visão do mundo como encruzilhada entre a tradição e a renovação. Não podemos compreender o Portugal do fim do século sem lermos a obra de Ramalho, continuadora, por caminhos diversos, do magistério de Herculano na divulgação e na defesa do património cultural e do território e na preservação dos tesouros literários, em especial na Biblioteca de Ajuda, que, como o autor de Eurico, o Presbítero, também dirigiu. A presença de José Duarte Ramalho Ortigão no grupo dos cinco (com Antero, Eça, Oliveira Martins e Junqueiro) ou entre os «Vencidos da Vida» deu-lhe uma notoriedade especial, a que corresponde uma nítida atenção à riqueza da nossa cultura, como ponto de encontro de uma rica diversidade. A «ramalhal figura» teve, assim, a inteligência de cultivar o sentido crítico como o melhor intérprete do tempo…»

GUILHERME D’OLIVEIRA MARTINS



 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Bibliotecando

Para este mês de Fevereiro, a Biblioteca e um aluno do 3º ciclo propõem as seguintes leituras:

2º ciclo - Peter Pan, de J.M. Barrie

“Todas as crianças crescem, exceto uma. Rapidamente percebem que hão-de crescer, e foi do seguinte modo que Wendy percebeu: um dia, a brincar no jardim, quando tinha dois anos, colheu mais uma flor e correu com ela para junto da mãe. Imagino que devia estar linda de se ver, porque a Sra. Darling levou a mão ao peito e exclamou. «Oh, porque é que não podes ficar assim para sempre!» Nada mais disseram uma à outra sobre o assunto, mas daí em diante Wendy soube que teria que crescer. A partir dos dois anos sabe-se sempre. Os dois anos são o princípio do fim.”

3º ciclo - Epic – PRIMA A TECLA START PARA JOGAR, de Conor Kostick

“Acredita-se que o jogo havia sido concebido, muitos séculos antes, para entreter os colonos que viajavam em condições quase glaciais pela vastidão do espaço. Não estava nos planos dos seus inventores que o jogo se viesse a tratar da lenta acumulação de dinheiro, nem mesmo da resolução de conflitos – apesar de esta ideia fazer mais sentido para Erick. Não, os inventores tinham criado o jogo por pura diversão.”

(sugestão de um aluno do 3º ciclo)


Secundário - Desencontros, de Jimmy Liao



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

70 anos sobre a libertação de Auschwitz

No dia 27 de janeiro de 1945, o complexo de concentração e de extermínio de Auschwitz-Birkenau foi libertado pelas forças do exército soviético.

Entre 1940 e 1945 terão perdido a vida neste complexo de campos no sul da Polónia mais de 1,1 milhões de pessoas. 

O museu de Auschwitz-Birkenau foi inaugurado em 1947, nas instalações do antigo campo de concentração, declarado Património da Humanidade da Unesco em 1979.



Para assinalar a data, deixamos uma reportagem fotográfica do The Gardian (aqui) e algumas sugestões de leitura sobre o Holocausto. 

Para que o mundo não esqueça...

 *

Na noite de 13 de dezembro de 1943, Primo Levi, um jovem químico membro da resistência, é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência judaica, é deportado para Auschwitz em fevereiro do ano seguinte; aí permanecerá até finais de janeiro de 1945, quando o campo é finalmente libertado.
Da experiência no campo nasce o escritor que neste livro relata, sem nunca ceder à tentação do melodrama e mantendo-se sempre dentro dos limites da mais rigorosa objetividade, a vida no Lager e a luta pela sobrevivência num meio em que o homem já nada conta.
Se Isto é um Homem tornou-se rapidamente um clássico da literatura italiana e é, sem qualquer dúvida, um dos livros mais importantes da vastíssima produção literária sobre as perseguições nazis aos judeus.

*

Todos conhecem a história profundamente dramática da jovem Anne Frank. Publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, o Diário veio revelar ao mundo o que fora, durante dois longos anos, o dia a dia de uma adolescente condenada a uma voluntária auto-reclusão, para tentar escapar à sorte dos judeus que os alemães haviam começado a deportar para supostos «campos de trabalho».

Tentativa sem final feliz. Em agosto de 1944, todos aqueles que estavam escondidos no pequeno anexo secreto onde a jovem habitava foram presos. Após uma breve passagem por Westerbork e Auschwitz, Anne Frank acaba então por ir parar a Bergen-Belsen, onde vem a morrer em Março de 1945, a escassos dois meses do final da guerra na Europa.

Traduzido em 67 línguas, este documento excepcional, de que a Livros do Brasil se orgulha de lançar agora a edição definitiva, vendeu já mais de 31 milhões de exemplares e é, seguramente, um dos livros mais lidos, discutidos e amados de toda a história do mundo.

Importa enfim acrescentar que esta edição definitiva contém toda uma série de passos que haviam sido omitidos por decisão do pai, que não tinha querido que alguns comentários de Anne Frank relativos à mãe fossem divulgados. O resultado final é um retrato extraordinário de uma adolescente em busca da sua identidade, durante um dos mais trágicos períodos jamais vividos pela humanidade.

*

Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…


*
 
23 de setembro de 1939. Wladyslaw Szpilman, um jovem e talentoso pianista polaco, tocava ao vivo na rádio o Nocturno em Dó Menor de Chopin. Nas ruas, as explosões das bombas germânicas quase emudeciam a fabulosa melodia. Seria a última transmissão ao vivo a partir de Varsóvia, abruptamente interrompida por uma bomba alemã. Esta é a história de Szpilman, contada na primeira pessoa, o testemunho de uma impressionante sobrevivência durante a Segunda Guerra Mundial. Szpilman, que perdeu todos aqueles que lhe eram mais queridos, consegue ainda assim celebrar a coragem, a força e a vida. Uma obra absolutamente genial, já adaptada ao grande ecrã.
 
Sinopses das obras retiradas de  www.wook.pt  

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

CONTO CONTIGO

Depois da estreia (com muito sucesso) do ano passado, chegou o momento de lançar mais uma edição do Concurso Literário CPA. Este ano o desafio é escrever um conto, partindo do lema do ano Faz do tempo vida.

CONTO CONTIGO?



Para mais informações acerca do Concurso, consultem o Regulamento na Biblioteca ou nas Salas de Aula.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

"Toques literários"





O João Folque, do 5ºE, aproveitou as férias do Natal para acabar de ler "O Râguebi, um Desporto Completo", de Vasco Pinto de Magalhães, sj, seguido de "O ABC do Râguebi", de C.K. Saxton.

Na passada quinta-feira, o João esteve na Biblioteca para partilhar um pouco do que aprendeu com estas obras. Falou-nos sobre os autores e sobre o râguebi, enquanto desporto e como escola de vida.


Perante uma audiência atenta, o João partilhou o seu entusiasmo pelo râguebi enquanto desporto, mas também como escola de humanismo, de alegria, de honra, valentia e humildade.



Resultados da 1.ª Fase do Concurso Nacional de Leitura


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Bibliotecando

Eis as propostas da equipa da Biblioteca para este mês de janeiro. 


2º ciclo / Matilda, de Roald Dahl

Excerto
“ Por acaso, algum de vocês sabe a tabuada do dois?
Matilda pôs a mão no ar. Foi a única.
(…) - Muito bem- disse ela.- Levanta-te, por favor, e começa a dizê-la até onde souberes.
Matilda levantou-se e começou a recitar a tabuada dos dois. Quando chegou ao dois vezes doze são vinte e quatro”, não parou. Continuou com dois vezes treze são vinte e seis, dois vezes catorze são vinte e oito, dois vezes quinze são trinta, dois vezes dezasseis são…”
-Para! - pediu a menina Honey. Tinha estado levemente fascinada a ouvir aquela cantilena tranquila. – Sabes até onde? – Perguntou ela.
- Até onde?- repetiu Matilda. – Bom, na verdade não sei, menina Honey. Até bastante mais, acho eu.”
(…) – Por exemplo - disse a menina Honey-, se eu te pedisse que multiplicasses catorze por noventa… não, isso é demasiado difícil…

- São duzentos e sessenta e seis - Disse Matilda serenamente.”

3º ciclo / O Sonhador, de Ian McEwan

Excerto
“ APRESENTO-VOS PETER
Quando Peter Fortune tinha dez anos, os adultos diziam muitas vezes que era uma criança «difícil». Peter nunca percebeu o que isso significava. Não se sentia nada difícil. Não atirava garrafas de leite aos muros do jardim, não despejava ketchup por cima da cabeça a fingir que era sangue, nem sequer dava com a espada nos tornozelos da avó, embora às vezes essas ideias lhe passassem pela cabeça. Tirando os legumes (excepto as batatas), o peixe, os ovos e o queijo, comia tudo. Não era mais barulhento, mais porco ou mais estúpido do que as pessoas que conhecia. Tinha um nome fácil de dizer e de soletrar. O seu rosto, pálido e sardento, era facílimo de fixar. Ia todos os dias para a escola como as outras crianças e nunca refilava por causa disso. Limitava-se a ser tão monstruoso para a irmã como ela era para ele. A polícia nunca veio bater-lhe à porta para o prender. Nunca apareceram médicos de bata branca a quererem interná-lo num manicómio. Segundo lhe parecia, era uma pessoa até bastante fácil. Que haveria nele de difícil? “

Secundário / Os pássaros e outros contos macabros, de Daphne du Maurier

Excerto

“ «Não olhes agora», disse John à sua mulher, «mas a duas mesas da nossa estão duas velhotas a tentar hipnotizar-me.»
Laura, apanhando logo a deixa, fez uma imitação primorosa de um bocejo e depois deitou a cabeça para trás como se esquadrinhasse os céus em busca de um avião inexistente.
«Mesmo atrás de ti», acrescentou ele. «Por isso é que não te podes virar de repente – era óbvio de mais.»
Laura recorreu ao truque mais velho do mundo e deixou cair o guardanapo, depois curvou-se para o apanhar a seus pés, deitando uma olhadela furtiva por cima do ombro esquerdo ao tornar a endireitar-se. Sorveu o ar das bochechas, primeiro indício revelador de uma histeria controlada, e baixou a cabeça.
«Não são velhotas nenhumas», disse. «São dois gémeos travestis.» ”